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	<title>rafaellosso.com.br &#187; Ditadura</title>
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	<description>Blog do Rafael Losso, com idéias, opiniões, pensamentos e histórias.</description>
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		<title>Conservador, progressista&#8230; ou alienado?</title>
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		<pubDate>Thu, 11 Apr 2013 16:23:57 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Rafael Losso</dc:creator>
				<category><![CDATA[Política]]></category>
		<category><![CDATA[blog]]></category>
		<category><![CDATA[Ditadura]]></category>

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		<description><![CDATA[Meu nome é Rafael Losso e nasci em Curitiba em um domingo de 1978. Eram tempos de falas proibidas, de Regime autoritário, de digressões raras e perigosas. Éramos filhos da ditadura, e as instituições tratavam de nos ensinar a contemplação silenciosa como forma de conservar as premissas máximas costuradas em nossa bandeira, Ordem e Progresso. [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Meu nome é Rafael Losso e nasci em Curitiba em um domingo de 1978. </p>
<p>Eram tempos de falas proibidas<span id="more-11"></span>, de Regime autoritário, de digressões raras e perigosas. </p>
<p>Éramos filhos da ditadura, e as instituições tratavam de nos ensinar a contemplação silenciosa como forma de conservar as premissas máximas costuradas em nossa bandeira, Ordem e Progresso. Assim, escola, igreja, jornais, revistas e televisores foram formando, conformando, deformando a geração que crescia sob a égide do AI-5. Paralelamente, tratavam de silenciar visões alternativas de mundo com a criminalização do subterrâneo marginal.</p>
<p>Enganadas e iludidas, essas crianças ainda foram confinadas em uma missão puramente alegórica: os jovens da nova Era. Incentivados a contar nos dedos a o tempo que faltava para o novo milênio, passamos a nutrir um sentimento vago de programada esperança, aliada a uma carência profunda de qualquer substrato ou ideologia.</p>
<p>O ano 2000 carregava simbolismos e promessas. Seria o início de um século moderno, industrial, urbano, em uma sociedade global que seria em breve interligada, primeiro pelos interesses econômicos neoliberais, depois pela internet. Para o Brasil, o país do futuro, eleições diretas rotineiras, instituições fortes, moeda estável, projeção internacional.</p>
<p>Mas o futuro era confuso em 1978. Com a cadeia da informação sob severa vigilância não se poderia imaginar, arriscar, uma previsão para os próximos anos. Abertura? Radicalização? Não se arriscaria uma mínima observação.</p>
<p>As informações disseminadas eram uniformes, impostas e recebidas com naturalidade dissimulada, cheia de dúvidas, mas cercadas e protegidas pelo silêncio.</p>
<p>Quando a Era do silêncio acabou éramos uma Nação destreinada. Quais seriam as vozes a imaginar novas possibilidades em um país alijado de dissidentes? Do exterior voltaram os antigos líderes, intelectuais e artistas, a apontar o caminho.</p>
<p>Mas as falhas propositais na formação da nossa geração nunca foram corrigidas. Fomos sonegados, quando deveríamos ter aprendido os subsídios mais importantes da cidadania: como pensar, discutir, debater, contradizer, responder. O assunto das discussões ficou restrito ao trivial, as únicas discussões sobre o esporte, o único esporte, o futebol.</p>
<p>Como política de Estado, não nos foi ensinado a construir ídolos, apenas a adotar aqueles impostos, impostores, com pés de barro e mãos atadas. Como resultado, dissociamos nossa ideologia da realidade, adotamos estéticas e estilos alienígenas, e alucinamos nossa integridade psíquica, emocional, nossa identidade cultural.</p>
<blockquote><p>&#8220;Nos deram espelhos, e vimos um mundo doente. Tentei chorar e não consegui&#8221;</p></blockquote>
<p>Hoje, com 35 anos, me vejo criando um novo blog. E me passa pela cabeça uma pergunta, tão paralisante quanto terrível: para quê? Para que dedicar um esforço em dedilhar o teclado com idéias, opiniões, pensamentos? Qual autoridade tem você sobre os fatos e atos que acontecem ao redor que justifique uma interpretação sua? Para quem escrever, se há tanto já escrito, há tão pouco escrito, tanto se lê, e tão pouco? Você quer subverter, bagunçar, agredir? O que almeja construir em uma simples página perdida no espaço imenso dessa internet?</p>
<p>E então descubro porque eu quero ter um blog, um endereço meu: porque sei que a voz que me faz as perguntas acima não é a minha, mas a voz covarde e sinistra internalizada durante a minha infância, que sussurrava pelas ruas, esquinas e calçadas de que não há o que se pensar, não se pode construir, não se pode dizer, escrever.</p>
<p>Esse blog existe porque preciso, como cidadão de 2013, contradizer essa voz com conteúdo, opiniões, imagens e sonhos, histórias e lembranças. E ocupar o espaço oco em que as ideologias digitais e as estéticas analógicas se chocam, em violenta criação de novas perspectivas que, agora sim, podemos comentar, teorizar, participar, aprendendo a tomar rédeas da História que vivemos.</p>
<p>Em busca da voz que é a verdadeira, integral, real, a esmagar o silêncio impostor a nada.</p>
<p>Sinta-se convidado a compartilhar essa jornada, em comentários, discussões, pensamentos autênticos e referências bacanas. Links novos para projetos antigos. Idéias futuras e conceitos presentes, simultâneos, paralelos.</p>
<p>Vamos nessa!</p>
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